PORTUGAL: CATEQUESE, PRECISA-SE!!!

No passado mês de Fevereiro, estive numa pequena cidade no estado de Minas Gerais no Brasil, Sete Lagoas, com cerca de 280.000 habitantes.
Mas como quantidade nunca significou qualidade, a demonstração e vivência de fé, excedeu as minhas esperanças e abalou o meu coração!

No dia 13 de Fevereiro fui convidado para assistir a uma acção de evangelização de rua. Baptizaram este evento com o nome “Blitz da Misericórdia”. Tudo começou as 7h30 da manhã, onde, jovens entre os 15 e 16 anos, reuniram-se na capela do colégio, perto do centro da cidade, para uma Eucaristia que mudou e abalou a minha estrutura humana.

Durante a celebração, os jovens, sempre concentrados, não tinham medo nem vergonha de rezar: acompanhavam os rituais e espalhavam a alegria das músicas de animação, com muito fervor! 
Quando chegou o momento da comunhão, eles ajoelhavam-se para receberem o Corpo de Cristo e, algumas meninas, cobriam a sua cabeça com um lenço!
Nunca vi comportamentos idênticos em Portugal, pelo menos em pessoas desta idade! 
Veio ao meu pensamento a realidade portuguesa: a maioria dos jovens não vão às Eucaristías porque "isso" é dispensável ou, por outros motivos que cada um saberá, os pais condescendem, e no verão, o melhor é ir "descapotável" pois o calor é imenso ....( a temperatura local, rondava os 35º!)

Após a Eucaristia foram dadas algumas coordenadas e regras para inicio da missão nas ruas. Os jovens foram distribuídos aos pares para evangelizar. Uns ficavam nos semáforos a entregar pajelas sobre o ano da misericórdia; outros, seguravam faixas com mensagens de amor de Deus e temas bem problemáticos como o Aborto, mensagens de confiança da Santa Teresinha de Ávila, etc. 

Outros grupos abordavam as pessoas que passavam na rua com palavras de amor e esperança: “Jesus te Ama”, ”Dê um sorriso para Jesus”, “Posso dar-lhe um abraço?”. O retorno e aceitação das pessoas era lindo e imediato. Os mais velhos diziam que era maravilhoso aquilo tudo, que deveria haver mais jovens assim e agradeciam pela palavra de conforto. 

Em simultâneo, estava um sacerdote a confessar quem quisesse reconciliar-se com o Senhor. Tudo estava organizado ou não fosse esta uma acção do Espírito Santo!

Inicialmente, a minha tarefa foi segurar uma faixa com mensagens. A minha parceira de evangelização, a Barbara, era uma jovem de 15 anos que foi falando comigo e me explicava como o Brasil estava a viver, espiritualmente, após a deslocação do Santo Padre Francisco.
Partilhou comigo uma lição de vida que deixou-me de boca aberta! Atentem.

Esta jovem falava de temas como o aborto com um conhecimento e profundidade científica e espiritual, como se tratasse de uma especialista mestrada na matéria! Falava da relação amorosa dizendo que não era santa mas que não ia namorar por namorar, pois o seu corpo era templo do Espírito Santo!
Beijos na boca? Fora de questão: um simples beijo na boca era pecado! Conhecia jovens que namoraram 6/7 meses sem um beijo e que ela também queria seguir estes exemplos. 

Perguntei-me: será que eu e a minha mulher, quando formos presenteados por Deus com um bébé, seríamos capazes de, no mundo europeu destituído de valores, educá-lo/a nestes princípios? Ou todas as orientações que, como cristãos católicos lhe daríamos como exemplo, seríam destruídas pelas companhias e pelas suas amizades? 

Seguidamente, houve uma adoração do Santíssimo na praça central da cidade, à qual eu não tive oportunidade de assistir, Depois de ver as fotos e os vídeos, conclui: isto é surreal! A cidade inteira ficou vidrada naquela adoração! Para melhor entenderem esta imagem, imaginem o Terreiro do Paço ou o Rossio em Lisboa, repletos de pessoas, no mais profundo silêncio e em completa entrega ao Santíssimo Sacramento... Será que nenhum sacerdote quer arriscar? Ou não terá autorização para o fazer? E mesmo que o faça, quais as possíveis consequências hierárquicas? Ou será que nenhum grupo de oração, ainda teve essa coragem? Então, ninguém houve as palavras do Papa Francisco quando pede uma Igreja na rua?

Os coordenadores partilharam alguns dos projectos futuros. Um deles é, claramente, fora de série, diria, extraterrestre, pois consiste em inscrever uma equipa de futebol no campeonato regional, sendo a mesma uma forma de evangelizar. Eu perguntei: "mas evangelizar, como?". A resposta foi mais uma bomba: "a equipa terá um equipamento com frases bíblicas, os jovens iram rezar antes do jogo no relvado, quando marcarem um golo louvarão ao Senhor, e se sofrerem alguma falta, pedirão desculpa ao agressor e abençoando os adversários …
Mas nesta nova missão as raparigas estariam nas bancadas a louvar e a rezar por todos.
Estes jovens são os futuros santos de calças jeans como pediu o Papa São João Paulo II, são os santos do novo milénio.

Se não tivesse ouvido, pensaria que estavam a "reproduzir" um filme de ficção científica, como a "Guerra das Estrelas" ou o "Apocalipse now" ...

GRUPOS DE ORAÇÃO

Dois dias depois, tive a oportunidade de participar num G.O. do RCC, que eu já conhecia, e que é um encontro maravilhoso co Deus e com os irmãos. Começa às 19h com o terço e às 19h30 inicia-se um louvor, bastante animado. Depois do louvor há sempre um momento de partilha, com um pregador diferente em cada semana. Terminam com uma oração colectiva que é muito forte, pois são mais de 500 pessoas a invocar o Espírito Santo. 

No dia seguinte fui participar noutro grupo do RCC que também é muito especial, pois, além de haver o cuidado de realizar um ensinamento prático perceptível a todas as classes sociais, termina com  o repouso no Espírito Santo, oração sobre todos os irmãos que assim o desejarem. Pessoalmente, estava disposto a resistir à acção do Espírito: de coração fechado e de pernas cruzadas, interiorizei: "hoje, não"! Pois, já tinha aprendido que resistir à acção do Espírito é a maior estupidez espiritual que o ser humano (consagrado ou leigo), pode interiorizar. Acreditem, quando o meu irmão leigo rezou por mim e soprou para mim, os meus pés, mesmo cruzados, foram levantados do chão! Ele sorriu para mim e abraçou-me! 

Tive a oportunidade de ir a uma missa no Carmelo onde vi a alegria dos irmãos franciscanos, após a comunhão: um sorriso no rosto .... que não tem explicação. Para eles, foi um encontro sobrenatural! Será que eu sinto esta mesma alegria, depois de receber Cristo? Ou regresso ao meu lugar com o mesmo sentimento, antes de comungar?

No ultimo Domingo fui a uma missa para crianças e fiquei pasmado: crianças de 3, 4, 5, 6 anos estavam com atenção à missa, pois a mesma estava preparada para as crianças e para os adultos. Na leitura do evangelho havia um teatro representativo da leitura; a homilia, foi substituída por uma história para crianças que era bastante interessante, pois a mesma transmitia os valores morais que tinham sido proclamados na Palavra de Deus. A comunhão era feita nas duas espécies e os casais davam a comunhão um ao outro. As crianças, como não comungavam, iam buscar umas uvas e pedir a bênção ao sacerdote. Algo incrível.

Este foi um pequeno resumo da minha experiência durante duas semanas no Brasil. Será que, algum dia, poderei ver algo de semelhante em Portugal? Ou na Europa?

Rui Ferreira
O ANO SANTO DA DIVINA MISERICÓRDIA

Com todo o respeito por diferentes opiniões, o conceito de "Divina Misericórdia" para os leigos católicos,  (re)surgiu num passado muito recente,  aquando da divulgação da vida mística de Sta Faustina, das suas visões, das revelações de Nosso Senhor e da sua obra.

A beatificação e canonização de Faustina Kowalsca por S. João Paulo II no ano de 2000, revelaram-se momentos muito importantes no mostrar, a todos os fieis, a imensurável Misericórdia de Deus Pai.

Claro que todos conhecemos passagens da Sagrada Escritura onde é revelada a infinita Misericórdia de Deus. Claro que sim!
Mas talvez fosse preciso "arranjar" uma forma mais directa, próxima e mais presente, de nos relembrar o Seu Perdão maior!

O bem-aventurado Papa João Paulo II beatificou e canonizou, no ano 2000, a sua conterrânea, Santa Faustina Kowalska, uma santa religiosa que recebeu visões e revelações de Nosso Senhor a respeito da Divina Misericórdia. No seu famoso diário, Santa Faustina relata o momento em que Jesus lhe pediu a instituição da festa da Sua Misericórdia:
"A Minha imagem já está na tua alma. Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que esta Imagem, que pintarás com o pincel, seja benzida solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia." 
Atendendo ao apelo do próprio Jesus pelas palavras de Santa Faustina, João Paulo II estabeleceu o segundo domingo da Páscoa, tradicionalmente conhecido como Dominica in Albis, como a festa da Divina Misericórdia. Em 27 de Abril de 2014, ele mesmo foi canonizado por ocasião da festa que instituiu.

Mas, o que é verdadeiramente a misericórdia de Deus? Qual a teologia que está por trás dessa bela festa da Igreja?

O Pe. Reginald Garrigou-Lagrange ao explicar porque "Mãe de misericórdia é um dos maiores títulos de Maria", distingue a "misericórdia, que é uma virtude da vontade, e a piedade sensível, que não passa de uma louvável inclinação da sensibilidade". Esta última, que "nos leva a compadecermo-nos dos sofrimentos do próximo, como se nós o sentíssemos nós mesmos", é própria apenas dos seres humanos, não de Deus, "já que Ele é um espírito puro". 

Nas palavras de Santo Tomás de Aquino, "não é próprio de Deus contristar-se com a miséria de outrem". Mas, é própria de Deus a misericórdia que é fundada na vontade. Ao dirigir-se às criaturas, Ele sempre as ama misericordiosamente.
Em nenhuma outra obra divina essa realidade é mais palpável que na Redenção! O homem, após o pecado, que já era um nada diante de Deus pela simples condição de criatura, ficou, por assim dizer, "abaixo do nada". E foi por este homem que o próprio Deus se encarnou e manifestou a Sua misericórdia.

Quanto à questão se a Encarnação teria acontecido, mesmo que o homem não tivesse pecado, alguns teólogos escolásticos como Duns Escoto, têm uma posição afirmativa: ainda se o homem não tivesse pecado, Deus teria encarnado. O Aquinate, ao contrário, responde deste modo:
"As obras puramente voluntárias de Deus, sem haver nenhum débito para com a criatura, nós não as podemos conhecer, senão enquanto manifestadas pela Sagrada Escritura, que nos torna conhecida a vontade divina. Ora, como a Sagrada Escritura, sempre dá como razão à Encarnação o pecado do primeiro homem, mais convenientemente se diz que a obra da Encarnação foi ordenada por Deus como remédio do pecado, de modo que, se o pecado não existisse, a Encarnação não teria lugar. Embora por aí não fique limitado o poder de Deus; pois, Deus teria podido encarnar-se mesmo sem ter existido o pecado." 
S. Tomás destaca que a Encarnação é um acto da soberana liberdade de Deus. Quando Ele decidiu encarnar-Se no seu plano de amor, fê-lo como realidade que pressupunha a queda do homem. Não se deve ficar construindo hipóteses, como se Deus pudesse "caber" em raciocínios humanos, nem limitar o poder de Deus, que "teria podido encarnar-se mesmo sem ter existido o pecado".

Então, a misericórdia infinita de Deus mostra-se eminentemente na Redenção. Por isto é coerente dizer que do peito aberto de Jesus, trespassado pela lança, brotam os rios "da misericórdia divina": a água e o sangue; porque, de facto, é na Redenção que Ele manifesta, de modo mais elevado, a Sua misericórdia, muito mais que na Criação. Nesta, Deus faz as criaturas do nada; naquela, porém, Ele faz muito mais: transforma um réprobo, uma pessoa que merecia o inferno, numa pessoa salva, num eleito!
"De dois modos podemos dizer que uma obra é grande. Quanto ao modo de agir, e então a maior obra é a da criação em que o ser foi feito do nada ou quanto à grandeza da obra. E neste sentido maior a obra é a justificação do ímpio, que termina pelo bem eterno da participação divina, do que a criação do céu e da terra, termina no bem da natureza mutável. Por isso, Sto Agostinho, depois de ter dito que a maior obra é fazer do ímpio um justo, que criar o céu e a terra, acrescenta: o céu e a terra passarão; porém a salvação e a justificação dos predestinados permanecerão."
Mas, pergunta-se, como é possível conciliar a misericórdia de Deus com a Sua justiça? 

Garrigou-Lagrange, ao falar desses dois atributos divinos, escreve: "se a justiça é um "galho" da árvore do amor de Deus, esta árvore não é senão a sua misericórdia e a sua bondade, sempre desejosa de comunicar-se aos homens e "irradiar-se". Por outras palavras, a justiça divina sempre se manifesta na vida dos homens como demonstração de Seu amor e de Sua misericórdia. 
Quando somos acometidos por doenças e sofrimentos, podemos certamente dizer que elas não passam de "penas medicinais", "remédios de Deus", a fim de que nos convertamos e nos voltemos para Ele. No meio das cruzes deste "vale de lágrimas", urge que enxerguemos, nas nossas vidas, a acção omnipotente de Deus, que é capaz de tirar o bem do mal. E, verdadeiramente, o faz!

Entretanto, quando Deus nos perdoa e não nos pune pelos nossos pecados, não está, de certo modo, a cometer uma "injustiça"? 
Segundo Tomás, não:
"Deus age misericordiosamente; quando faz alguma coisa, fá-lo, não contra, mas além da sua justiça. Assim, quem desse duzentos dinheiros ao credor ao qual só deve cem, não pecaria contra a justiça, mas agiria liberal ou misericordiosamente. O mesmo se daria com quem perdoasse a injúria que lhe foi feita; pois, quem perdoa, de certo modo dá;  por isso o Apóstolo chama ao perdão, doação (Ef 4, 32): Perdoai-vos uns aos outros como também Cristo vos perdoou. Donde resulta que, longe de suprimir a justiça, a misericórdia é a plenitude dela. Donde, o dizer a Escritura (Tg 2, 13): a misericórdia triunfa sobre o justo." 
O perdão misericordioso concedido aos pecadores não está "abaixo" da justiça, como que, contrariando, mas "além" dela. 

Em Deus, não existe "justiça comutativa": dar a alguém aquilo que se lhe deve, já que Ele não deve nada a ninguém. O que há é a "justiça distributiva", em que Ele distribui os seus dons aos homens, dons que não lhes eram devidos; obras, portanto, de Sua misericórdia.

Pergunta-se, ainda, como conciliar a misericórdia divina com a existência do inferno. Para resolver esse problema, é preciso entender que o inferno existe não por uma deficiência do amor de Deus que é, por essência, infinito, mas por um abuso da liberdade humana. Quando um católico, por exemplo, que recebeu a graça de ser incorporado à Igreja, ter acesso aos Sacramentos, à vida dos santos e à Palavra de Deus, se fecha aos apelos do céu e endurece o seu coração, vive uma realidade chamada "remorso". O remorso, longe de ser uma dor pela ofensa cometida contra Deus, é um "remordimento" de si mesmo, como um animal que se põe a lamber as próprias feridas. Nessa atitude, percebe-se uma rebelião contra Deus, uma atitude de orgulho que impede que a misericórdia divina aja, efectivamente, sobre a sua alma. Por isso, é necessário sempre pedir a Deus a graça do verdadeiro arrependimento de nossos pecados.
Quem não chegou ao conhecimento do Evangelho deve acolher os apelos de Deus na sua consciência para que se salve por caminhos que só Ele conhece. No caso de um católico, todavia, privilegiado por estar na Santa Igreja, desprezar o grande dom dos Sacramentos, sobretudo o da Confissão e o da Eucaristia, seria uma grande ingratidão. "A quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir", diz Nosso Senhor. Eis o coração da festa da Divina Misericórdia: como pode, alguém, incorporado ao Corpo Místico de Cristo e consciente do amor infinito que Jesus manifestou por si na Cruz, deixar de corresponder a essa atitude, devolvendo com amor a um Deus tão bondoso?
A tal ponto chegou a bondade de Deus que, não se contentando em compadecer-Se e encarnar-Se para nos salvar, quis deixar-nos o precioso dom da Eucaristia, a fim de que, comungando quotidianamente de Seu próprio Corpo e Sangue, nos santificássemos. Então, como Ele nos deu tanto, devemos retribuir com muito, ao invés de presumirmos a nossa salvação e afundarmo-nos no pecado. 
Diz Nosso Senhor a Santa Faustina: "A falta de confiança das almas dilacera-Me as entranhas. Dói-Me ainda mais a desconfiança da alma escolhida. Apesar do Meu amor inesgotável, não acreditam em Mim, mesmo a Minha morte não lhes é suficiente. Ai da alma que deles abusar!".
Ora, não se disse, no início desta exposição, com o Aquinate, que "não é próprio de Deus contristar-se"? Como, então, entender a mensagem de Jesus, que diz sentir dilaceradas as Suas entranhas pela "falta de confiança das almas"? Que se entenda: Nosso Senhor verdadeiramente sofreu, ao encarnar-Se e experimentar a Paixão. Mas, considerando que agora está no Céu, em corpo glorioso e não pode mais sentir a dor, dizer que Deus "se entristece" ou "sente dor" não é nada mais que um recurso metafórico e pedagógico para fazer as pessoas compreenderem o quanto Ele ama os homens. Não se pode atribuir paixões a Deus: Ele realmente amou-nos, ama-nos e nos amará eternamente, porque não revoga os seus decretos de amor. Entretanto, a dor propriamente dita, só aconteceu no coração humano de Cristo no seu suplício terreno.

Por isso, a festa da Divina Misericórdia e a devoção a Jesus misericordioso são uma forma de renovar a tradicional devoção ao Sagrado Coração de Jesus; de celebrar o coração humano de Cristo que amou a Deus infinitamente e fez-Se vítima para salvar a humanidade.

site Canção Nova, Pe. Paulo Ricardo

ENTRADA DA IMAGEM DE NOSSA SENHORA
NA CIDADE DE LISBOA



MENSAGEM DE NOSSA SENHORA À IRMÃ LÚCIA

Vejam a interessante mensagem enviada por Nossa Senhora à Irmã Lúcia, mensagem esta que foi remetida ao Cardeal patriarca de Lisboa em carta datada de 19-02-1940:

“Eminentíssimo Senhor Cardeal, Nosso Senhor está descontente e amargurado com os pecados do mundo e com os de Portugal, queixando-se da falta de correspondência, vida pecaminosa do povo e em especial da tibieza, indiferença e vida demasiado cômoda que levam a maioria dos sacerdotes, religiosos e religiosas; é limitadíssimo o número das almas com quem se encontra na oração e no sacrifício. Em reparação e súplica por si e pelas outras nações,Nosso Senhor deseja que em Portugal sejam abolidas as festas profanas nos dias de carnaval e substituídas por orações e sacrifícios com preces públicas pelas ruas. Rogo pois a Vossa Eminência se digne em união com todos os Excelentíssimos Senhores Bispos promovê-las, não esquecendo que Nosso Senhor, ao prometer uma proteção especial à nossa Nação, a declarou também culpada e lhe anunciou algo que sofrer também. Esse algo consistirá em conseqüências de guerras estrangeiras mais ou menos graves segundo a nossa correspondência aos desejos de Nosso Senhor. Nosso Senhor deseja que atraiamos assim a paz não só sobre Portugal mas sobre as demais nações”

(Apud Padre Antônio Maria Martins, S. J., Novos Documentos de Fátima, ed. Loyola, São Paulo, sem data, p. 251);

Vejam, amigos: o "inocente" carnaval português da primeira metade do século passado já era considerado totalmente imoral por Nosso Senhor! 
Imaginem como Ele, no céu, vê o carnaval brasileiro ....
O que é que Ele pensará?

Jejum e oração neste carnaval pelas almas que se perdem nas folias e também pelas nossas que muitas vezes não conseguem aplicar a santidade que, na teoria, todos conhecemos! 
NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA:

A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA TEM UM RESTAURANTE EM LISBOA

Amig@s, o Paulo Dias, membro da Assembleia do RCC de Lisboa e do G.O. "Caminho e Luz" de Carnide, reiniciou, para o seu ganha pão, apesar dos problemas de saúde que o têm afectado nos últimos anos e que todos, infelizmente, conhecemos, a sua actividade profissional como proprietário e, especialmente, cozinheiro, do Restaurante "Os meus crepes".
Está situado na Rua Dr. António Martins nº12, entre a Av. Columbano Bordalo Pinheiro e a R. Prof Lima Bastos. 
A 10 min a pé do Metro de Sete Rios ou a 30 metros da paragem dos autocarros 716, 726,  731, 746 da Carris.
As suas qualidades culinárias são de todos bem conhecidas!
Faz a tua visita ou marca o teu almoço ou jantar de Natal pelo 211 354 512 ou 965 730 567.
Bom apetite!
NATAL  2015

Queridos amigos e amigas,

Estamos às portas do NATAL!
Aquele Messias prometido pelos Profetas, durante muitos séculos, no tempo do Pai, «fez-se homem e e veio habitar connosco» (Jo 1,14).
Desde então começou o tempo do Filho.
Neste tempo, que é o nosso, estamos a viver no tempo do Espírito Santo que, juntamente com a Virgem Santa Maria, está a recriar o mundo.
O Pai já o tinha prometido: «Eu vou criar um novo céu e uma nova terra» (Is 65, 17); «assim como os novos céus e a nova terra, que vou criar, subsistirão diante de mim, assim também subsistirá a vossa posteridade e o vosso nome» (Is 66, 22).
São João, no livro do Apocalipse, já contempla esse mundo transformado: «Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido» (Ap 21,1).
São Pedro recorda aos cristãos que «nós esperamos uns novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 P 3,13).
Aquilo que nos consola é que esse tempo da recriação do mundo é o tempo em que nós vivemos. Mas Deus espera a nossa colaboração. Ele não quere fazer nada sem nós, mas quer fazer tudo connosco. Portanto, não tenhais medo! O fim do mundo só virá daqui a uns bons milhares de anos, quando o novo mundo for criado.
Aquilo que nos importa agora é preparar as vindas quotidianas de Jesus, que chega até nós através dos Sacramentos. Jesus vem com o Pai e com o Espírito Santo fazer de nós a morada de Deus (Ef 2,19). Aliás, Jesus já o tinha anunciado claramente: «O Espírito da Verdade permanece junto de vós, e está em vós» (Jo 14, 17) e «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos [a nossa] morada» (Jo 14, 23).
Não podemos ter dúvidas. Somos o Templo Santo onde Deus habita!
Em nós, Ele estabeleceu o Céu sobre a terra!
Fez de nos Tabernáculos vivos do Altíssimo, para que O levemos a «todas as cidades e lugares aonde Ele quer ir» (Lc 10, 1). Eis a nossa glória, a nossa alegria, a nossa felicidade!
O Natal que esperamos, não será para nós a primeira vinda de Cristo, mas um reviver em nós o Seu nascimento. Jesus nasceu pela primeira vez em nós no dia do nosso Baptismo. Ele continua a renascer em nós todas as vezes que O recebemos no Sacramento da Eucaristia.
Em Jesus, Deus desce do Céu à terra, para viver em nós, e para com Ele nos elevar da terra ao Céu, onde «seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é» (1 Jo 3,2). Glória ao Senhor!

Unidos em Cristo Jesus,
Vosso irmão e amigo
P. Alfredo Neres


BÍBLIA: obras de misericórdia 

«Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso» (Lucas 6,36). Mais do que uma ordem, estas palavras de Jesus são a revelação de uma possibilidade: elas atestam a possibilidade de o homem participar da misericórdia de Deus, ou seja, de dar vida, de mostrar ternura e amor, de perdoar, de co-sofrer com quem sofre, de sentir a unicidade do outro e de lhe estar próximo, de suportar o outro e de ter paciência com a sua lentidão e as suas incapacidades.
Se «misericordioso e compassivo» é o nome de Deus (cf. Êxodo 34,6; Salmo 86,15; 103,8; 111,4; etc.), Jesus de Nazaré deu um rosto humano a essa misericórdia e compaixão, revelando-a na sua vida (cf. Marcos 1,41; 6,34; Lucas 7,13; etc.), e, seguindo-o, pela fé nele e pelo amor por Ele, também o discípulo do Senhor pode viver a misericórdia.
Na Bíblia, a misericórdia não é apenas uma emoção, um frémito interno frente ao sofrimento alheio: ela nasce como ressonância aguda do sofrimento do outro dentro de mim mas, depois, torna-se ética, prática e virtude.

É o que acontece com o samaritano da parábola, que faz tudo o que está ao seu alcance para aliviar concretamente os sofrimentos do homem deixado moribundo à beira do caminho (cf. Lucas 10,29-37). A misericórdia, segundo a linguagem bíblica, deve ser feita (cf. Génesis 19,19; 21,23; 24,12; 40,14; Êxodo 20,6; Deuteronómio 5,10; Rute 1,8; etc.); «Vai e faz tu também o mesmo» (Lucas 10,37), diz Jesus ao doutor da Lei, a quem contou a parábola do samaritano. De Jesus, que realiza curas, diz: «faz tudo bem feito» (Marcos 7,37; cf. Actos 10,38).


Os discípulos, portanto, a partir de agora conhecem a vontade de Deus: a misericórdia («Prefiro a misericórdia ao sacrifício»: Mateus 12,7); e também sabem como eles próprios devem querê-la e praticá-la: seguindo as pegadas deixadas no caminho percorrido por Jesus e aprendendo com Ele, que é «manso e humilde de coração» (Mateus 11,29).

Fundamento da transmissão feita por Deus ao homem da capacidade de «fazer misericórdia» é o mandamento do amor dado por Jesus e a prática do amor que Ele próprio viveu: «Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros» (João 13,34); «Como o Pai me amou, também Eu vos amei» (João 15,9).

Este amor só pode ser concreto e visível, efectivo operante e prático e não simplesmente afectivo,  íntimo e inexpressivo.

A primeira carta de João recorda-o várias vezes: «Não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (3,18); «Se alguém possuir bens deste mundo e, vendo o seu irmão com necessidade, lhe fechar o seu coração, como é que o amor de Deus pode permanecer nele?» (1 João 3, 17); «Aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê» (1 João 4, 20).


O alimento

«Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia» (Mateus 6, 11). A oração que o Senhor Jesus  transmitiu aos seus discípulos, e que os cristãos repetem diariamente, contém a petição do pão dirigida a Deus.
O orante que pronuncia este pedido, ora não só por si, mas em nome de todos os filhos: o filho que pede pão ao "nosso" Pai não pode esquecer o irmão que dele carece. Aqui, o indicativo de Deus torna-se imperativo do homem: pedir o pão a Deus implica assumir a responsabilidade por quem não tem pão.
Com efeito, Deus dá o pão ao homem, mas também através do homem: este é o seu destinatário, mas também o seu mediador. Ao pão dado por Deus corresponde o pão repartido pelo homem.


Retomando as palavras de Jesus dirigidas aos seus discípulos, face às multidões cansadas e famintas, também poderíamos dizer: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Marcos 6, 37). Esta ordem, dirigida aos primeiros discípulos, estende-se a toda a Igreja, na história, e chega até nós, hoje. (...)

O vestir

Não ter roupa ou estar quase nu ou cobertos de farrapos é uma condição que tem importantes conotações psicológicas e espirituais.
Na Bíblia, uma boa parte do valor simbólico da nudez é negativa: trata-se da nudez que retira identidade, da nudez do anónimo, do sem dignidade: o escravo que é vendido (cf. Génesis 37, 23), o preso privado da liberdade (cf. Isaías 20, 4; Atos dos Apóstolos 12, 8), a prostituta exposta aos olhares de todos (cf. Jeremias 13, 26-27; Oseias 2, 4-6), o doente mental que vive numa condição de alienação (cf. Marcos 5, 1-20).


A Bíblia mostra particular interesse pela nudez inocente e humilhada do pobre, da vítima, do marginal. A simples referência à mesma significa já dar voz a quem não tem voz e pretende suscitar a compaixão ativa de quem se depara com tais situações. Diz-se, no livro de Job, a propósito dos pobres:
«Passam a noite nus, sem roupa nenhuma e sem agasalho contra o frio. Ficam todos molhados com as chuvas da montanha, sem outro refúgio além dos rochedos. Andam nus, sem nenhuma roupa, e passam fome a carregar os feixes» (24, 7-8.10).

A Escritura elabora assim uma compaixão pelo corpo que se exprime em ordens («Reparte as tuas vestes com os nus»: Tobias 4, 16), que se conta entre os atributos da justiça («O justo... cobre [de roupa] o nu»: Ezequiel 18, 5.7.16), que toma a peito uma prática de jejum autêntica («O jejum que me agrada é este... vestir os nus»: Isaías 58, 6-7).


Partilhar a roupa com o pobre é um gesto de intimidade que implica delicadeza, discrição e ternura, pois tem diretamente a ver com o corpo do outro, com a sua unicidade, que se cristaliza em grau máximo no rosto descoberto, que permanece nu e que, com a sua vulnerabilidade, recorda a fragilidade de todo o corpo, de toda a pessoa humana e nos remete para ela.
Partilhar a roupa com o pobre - não do modo impessoal e eficiente da recolha de ajudas a enviar aos pobres do Terceiro Mundo, mas no encontro frente a frente com o pobre - torna-se, então, revelação concreta de caridade, celebração de gratuidade, intercâmbio em que quem se priva de alguma coisa não se empobrece, mas se enriquece com a alegria do encontro, e quem usufrui do dom não é humilhado, porque o ato de ser revestido introduz numa relação e ele se sente acolhido na sua necessidade como pessoa, ou seja, na sua unicidade, não como um anónimo destinatário de um envio de roupas postas de parte pelos ricos.


Só na medida em que o «vestir os nus» é encontro de nudez, a nudez do rosto de quem dá e do rosto de quem recebe, e sobretudo a nudez dos olhos, que são a parte mais exposta do rosto, esse gesto deixa de correr o risco de ser humilhante, e dá-se no único espaço que confere verdade a cada gesto de caridade: o encontro com o outro.

Luciano Manicardi, do livro “O amor dá que fazer,”  ed. Paulinas